Painel debate governança e sucessão como pilares para o futuro das empresas familiares
O que faz uma organização permanecer relevante, resiliente e próspera ao longo das décadas? A resposta para essa pergunta mobilizou o público que lotou o domo geodésico do Parque Municipal de Eventos durante a Expo 150, evento que celebra o sesquicentenário do município.
O painel “Governança e Legado: construindo organizações para o futuro” reuniu nesta quinta-feira (2) grandes referências da indústria e da gestão regional para discutir estratégias de continuidade empresarial. O debate contou com a participação de Zélia Breithaupt Jansen, Vicente Donini e Jaime Richter, que compartilharam experiências práticas sobre governança corporativa e familiar, planejamento sucessório e o delicado equilíbrio necessário para perpetuar o legado sem frear a inovação.
O momento certo para agir: a prevenção na calmaria
Um dos principais diagnósticos levantados pelos painelistas é o erro comum de buscar a estruturação apenas em momentos de instabilidade.
“Pela minha experiência, os empresários deixam para pensar e conversar sobre governança quando estão diante de uma dificuldade financeira muito grande ou quando estão com algum conflito de poder na família”, alertou Zélia Breithaupt Jansen. Ela lançou a provocação central do evento: “Qual é a melhor hora para trazer a governança para dentro do negócio?”
A resposta dos especialistas foi unânime: o momento ideal é o agora. Para o empresário Vicente Donini, presidente do Conselho de Administração da Marisol, adiar essa decisão é acumular problemas para o futuro.
“O ambiente de negócio é severo. Não ditamos as condições mercadológicas, é o mercado que as dita. Por isso, precisamos trazer a harmonia de casa para enfrentar o dia a dia”, explicou Donini. “Famílias bem resolvidas tendem a ter negócios bem-sucedidos. Por outro lado, negócios mal geridos levam crises para dentro do lar. É preciso uma separação muito grande.”
Donini destacou que a governança nada mais é do que o disciplinamento e o regramento da jornada diária dos gestores, algo que depende diretamente de uma comunicação clara e do respeito às diferenças. Ele entende que o equilíbrio é mantido com ferramentas práticas: a criação regular de conselhos consultivos e de família, garantindo uma coexistência pacífica e decisões baseadas na absoluta transparência.
A estatística que assusta e a solução racional
O conselheiro de empresas Jaime Richter trouxe dados cruciais sobre a mortalidade das organizações familiares: de cada 100 empresas fundadas, apenas 30 passam para a segunda geração, e somente 5 sobrevivem até a terceira. Segundo Richter, esse sumiço de riqueza ocorre porque os empreendedores negligenciam o papel da governança como um “guarda-chuva” que abriga as esferas familiar, jurídica e corporativa.
“A governança funciona equilibrando a empresa, a família e a propriedade. Esse equilíbrio é feito por meio de processos, regras e combinados”, afirmou. “Não dá para deixar para a hora da crise, quando as emoções estão à flor da pele e a racionalidade vai embora. O melhor momento é na calmaria, com a cabeça fria.”
Richter comparou a governança a um seguro de automóvel, que deve ser feito antes do sinistro. “Ela estrutura o negócio para que, quando vierem as tempestades mercadológicas ou o crescimento da família, todos estejam protegidos. Ela mitiga os riscos de conflito na transição e garante a geração de valor, independentemente de quem esteja na cadeira de presidente.”

>>> Painelistas, com mediação da especialista Zélia Breithaupt Jansen, trouxeram luz sobre a importância da governança para a longevidade de empresas
[fotos: WeArt]
Lições e referências para as novas gerações
Para os painelistas, a governança não se trata de uma burocracia rígida, mas sim da engrenagem que guia os negócios de forma organizada — sendo aplicável desde pequenos comércios até indústrias e o setor de serviços.
O painel consolidou três lições valiosas para a sustentabilidade institucional das empresas da região:
- Sucessão é processo, não evento: Organizações duradouras planejam a transição de lideranças com anos de antecedência, preparando mútua e gradualmente o negócio e os herdeiros.
- Separar família e negócio: A introdução de estruturas claras de governança protege as relações de parentesco das decisões puramente estratégicas e complexas da empresa.
- Governança além do setor privado: Os conceitos de transparência e conformidade regulatória aplicam-se igualmente a entidades e organizações da sociedade civil, fortalecendo o DNA associativista de Jaraguá do Sul.
Ao conectar a memória dos fundadores com as exigências contemporâneas, o painel demonstrou que o empreendedorismo local está focado em construir estruturas organizacionais robustas, prontas para prosperar e liderar pelos próximos 50 anos.
Até domingo, dia 5, uma agenda cheia de atrações
Marco central do sesquicentenário de Jaraguá do Sul, a Expo 150 continua até o domingo, dia 5, no Parque Municipal de Eventos, reunindo feira de negócios, painéis de inovação, gastronomia e grandes espetáculos.
A entrada é totalmente gratuita (incluindo shows e exposições), mas para acesso às palestras temáticas no domo geodésico, há necessidade de inscrição prévia devido à capacidade limitada do espaço. Para confirmar presença, ou saber todos os detalhes do evento, acesse EXPO 150 Orgulho de ser Jaraguá do Sul.
A Expo 150 é patrocinada por:Caixa Econômica Federal, DR Aromas & Ingredientes, Grupo Flexível, Indumak, Live!, Grupo Malwee, Menegotti Têxtil, Trapp, Urbano e WEG.
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