Memória Revelada: Jaraguá do Sul abre Arca do Centenário após 50 anos
Em um dos momentos mais aguardados das celebrações dos 150 anos de Jaraguá do Sul, nesta sexta-feira (12) foi realizada a abertura oficial da Arca do Centenário. A cápsula do tempo, enterrada na Praça Ângelo Piazera em 1976 para marcar os 100 anos do município, teve seu conteúdo revelado em uma cerimônia restrita na Estação Cultural.
A estrutura metálica de aproximadamente 100 kg havia sido retirada do solo em abril, em frente ao Museu Histórico Emílio da Silva. Desde então, passou por um período de aclimatização e estabilização térmica em ambiente controlado, passo essencial para garantir a segurança no manuseio do material.
Há 50 anos, a ideia dos gestores da época foi guardar registros diversos da cidade para transmitir às gerações futuras os sentimentos representativos daquele tempo. Mais do que objetos antigos, a abertura revelou a essência de uma época importante como testemunha do crescimento da cidade, que agora vivencia seu sesquicentenário.
Solenidade que marcou reencontros com o passado
A cerimônia de apresentação do conteúdo da arca carregou um simbolismo forte com a presença do prefeito Jair Franzner e de representantes de entidades, imprensa, e de membros da comissão organizadora dos festejos de 150 anos da cidade. Além disso, foi um momento de emoção para personalidades que viveram de perto as celebrações de 1976. O momento tornou-se ainda mais significativo quando alguns moradores recordaram os objetos exatos que haviam depositado na caixa há cinco décadas.
“Deixei um cartão da minha empresa e um chaveiro”, relembrou o publicitário Curt Ness, ao testemunhar o reencontro com a própria história.
“Encontramos história, sentimentos, sonhos e o olhar daqueles que, no passado, pensaram no futuro da nossa cidade. Jaraguá do Sul é o que é hoje graças ao esforço coletivo daqueles que acreditaram, trabalharam com empenho e coragem”, disse o prefeito Jair Franzner.
Desafio técnico e os itens preservados
A abertura da Arca do Centenário ocorreu em uma sala especialmente preparada e seguiu um rigoroso protocolo de biossegurança. A equipe técnica trabalhou paramentada e o acesso foi restrito, enquanto os convidados acompanharam a retirada dos itens através de uma porta de vidro.
Segundo os técnicos, devido à ação do tempo e às condições do solo ao longo de 50 anos, a umidade na cápsula cobriu e danificou parte dos documentos e materiais de papel que estavam protegidos por uma lona.
Apesar das avarias causadas pela infiltração de água, diversas relíquias da geração de 1976 resistiram e foram recuperadas:
- Moedas da época;
- Um disco de vinil;
- Jornais impressos e peças publicitárias do centenário;
- O brasão oficial do município e partes de tecidos;
- Objetos cotidianos, como uma régua, um mini chapéu e chaveiros de empresas locais, entre outros itens.
>>> Confira como foi a solenidade de abertura da Arca do Centenário
[Fotos: PMJS e Caroline Stinghen]










Processo minucioso de restauração
Por enquanto, o público geral precisará esperar um pouco para ver as relíquias de perto. Os materiais não podem ficar expostos imediatamente e foram encaminhados ao Arquivo Histórico do município para um trabalho minucioso de salvamento.
De acordo com Silvia Kitta, integrante da equipe técnica da Comissão de Memória e Repertório dos 150 anos, cada item será separado e colocado em uma secadora de documentos própria para a finalidade.
“O passo seguinte é fazer a estabilização dos materiais. Posteriormente, vamos fazer um tratamento com banho e desacidificação nesses documentos, com auxílio de outros técnicos. Na sequência, vamos fazer toda a identificação técnica, fotografar e expor o que for possível”, explicou Silvia. A expectativa é que o acervo recuperado integre a Expo 150 Anos, no Parque Municipal de Eventos.
Olhar voltado para o bicentenário em 2076
O encerramento deste ciclo de meio século também marca o início de um planejamento para o futuro. O presidente da Comissão dos 150 anos, Luis Hufenüssler Leigue, reforçou o papel do ato: “O símbolo que a arca representa é o pensamento das pessoas daquele tempo de deixar um recado para a gente. Quem tem memória sabe para onde está indo”.
Conforme a Comissão dos 150 anos já havia informado, uma nova cápsula do tempo, a Arca dos 150 anos, será preparada com a ajuda de estudantes e entidades locais. Ela guardará registros do cotidiano atual e as mensagens do projeto “Cartas ao Amanhã”, destinadas à população de 2076, ano em que Jaraguá do Sul celebrará o seu bicentenário.
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