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Publicado em 28/05/2026
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Entidades empresariais e prefeituras se unem por plano integrado para frear colapso na saúde no Vale do Itapocu

Em uma mobilização que une o setor produtivo e o poder público, prefeituras e entidades empresariais do Vale do Itapocu estão juntando forças para solucionar os gargalos históricos na saúde pública da região.

O ponto de partida é um estudo detalhado elaborado pela Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali), apresentado a lideranças no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul (CEJAS).

O foco da iniciativa é ampliar e aprimorar, de forma conjunta, a estrutura de atendimento médico-hospitalar regional. Entre os principais desafios diagnosticados estão a sobrecarga dos hospitais de referência — especialmente o Hospital São José —, a necessidade urgente de habilitação de novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), a ampliação dos serviços de média e alta complexidade e a consolidação de uma rede regional integrada.

O raio-x do “colapso silencioso” na região

O estudo da Amvali acende um alerta vermelho ao cruzar a realidade atual com as projeções demográficas.

A estimativa aponta que a região dará um salto dos atuais 363 mil habitantes para mais de 817 mil moradores até 2050. Paralelamente, o Índice de Envelhecimento quase dobrou nos últimos anos, elevando drasticamente a pressão por tratamentos de doenças crônicas e de alta complexidade.

Atualmente, a microrregião enfrenta o que especialistas chamam de um “colapso silencioso” na infraestrutura hospitalar.

Os dados são alarmantes:

  • Déficit de leitos: A região possui apenas 1,1 leito SUS por mil habitantes, enquanto a média de Santa Catarina é de 1,7.
  • Ocupação extrema: As taxas de ocupação de UTIs operam no limite do esgotamento, atingindo 99,7% na UTI Adulto do Hospital São José e 99,9% na UTI Neonatal/Pediátrica do Hospital Jaraguá.
  • Fila de espera: A demanda reprimida por consultas, exames e cirurgias eletivas já acumula mais de 115 mil pacientes — o equivalente a cerca de 32% de toda a população local.

“Hoje a nossa principal dor na gestão da saúde é a falta de leitos. Numa perspectiva até 2030, precisaríamos de 364 novos leitos e de dois novos hospitais para atender à região”, aponta Cristiane Wille, secretária de Saúde de Guaramirim e coordenadora do colegiado de secretários municipais da Amvali.

>>> Encontro mobilizou lideranças políticas, classe empresarial e representantes públicos da área da saúde dos municípios da região da AMVALI
[Fotos: Ronaldo Corrêa e Caroline Stinghen

Esforço municipal e sobrecarga financeira

Diante da insuficiência de repasses federais e estaduais, as prefeituras da região vêm assumindo sozinhas o sufoco financeiro dos serviços. Juntos, os municípios aportam mais de R$ 89 milhões anuais de recursos próprios para manter abertas as portas de Prontos Atendimentos e hospitais.

Grande parte desse valor é consumida por estruturas que ainda não possuem habilitação do Ministério da Saúde, o que sobrecarrega os caixas municipais.

Para o prefeito Jair Franzner, presidente da Amvali, a união regional é a única saída para reverter o cenário atual, onde hospitais de alta complexidade (como o São José) acabam sufocados por demandas de menor gravidade (média complexidade) que poderiam ser resolvidas na ponta, nos municípios.

O Plano de Ação: metas imediatas e novos hospitais até 2030

O plano estratégico desenha uma mudança profunda no modelo de gestão, incluindo parcerias com organizações filantrópicas de excelência reconhecida, como a Associação Hospitalar São José, que já atua em cidades da região além de Jaraguá do Sul. O planejamento divide-se em duas frentes de ação:

1. Desafogo imediato dos hospitais centrais

  • Habilitação de UPAs: Obtenção de chancela federal para os Prontos Atendimentos de Corupá e Schroeder (como UPA Porte II) e Barra Velha (como UPA Porte III), garantindo repasses de verbas.
  • Nova UPA em Jaraguá do Sul: Construção de uma nova estrutura Porte III.
  • Porta Referenciada: Migração do Hospital São José para o modelo de atendimento restrito a casos graves regulados, evitando filas por demandas básicas.

2. Ampliação física e novas estruturas (Até 2030)

Para sanar o déficit e absorver o crescimento populacional, a região projeta a necessidade de 364 novos leitos gerais, 11 de UTI Adulto e 8 de UTI Neonatal. A solução definitiva de médio e longo prazo prevê:

  • Construção do Hospital Regional de Barra Velha (200 leitos gerais e 10 de UTI).
  • Construção do Hospital Regional de Guaramirim (em substituição à estrutura atual, também com 200 leitos gerais e 10 de UTI).

Aliança com o setor empresarial

Compreendendo que a saúde pública é fator decisivo para a qualidade de vida da comunidade e para a competitividade econômica, a classe empresarial reafirmou o compromisso de pensar o plano sob a ótica do desenvolvimento regional e reafirmou o engajamento do setor produtivo com a agenda.

Para o presidente do Centro Empresarial e da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (ACIJS), Francisco Tavares Junior, o diagnóstico da Amvali deixa evidente a importância da cooperação intermunicipal para otimizar os recursos públicos e privados. Ele reforçou o apoio das entidades do CEJAS (ACIJS, CDL e APEVI) e a parceria com as Associações Empresariais de Corupá, Guaramirim, Massaranduba e Schroeder nas articulações junto das esferas estadual e federal.

A meta agora é unir prefeitos, deputados e vereadores em uma forte mobilização política junto aos governos estadual e federal para garantir verbas estruturantes.

Como próximos passos, o relatório final do Planejamento Hospitalar passará por validação jurídica imediata junto aos procuradores dos municípios e da Amvali. O objetivo é garantir total segurança legal e conformidade junto ao Tribunal de Conas do Estado (TCE) antes de dar início à execução do plano.

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