Seja um associado
Notícias

Fique bem informado

Acompanhe as novidades da ACIJS e fique por dentro dos principais fatos do universo empresarial da região e do estado.
Publicado em 14/05/2026
Compartilhe:

Confederação que representa 24 milhões de pequenos negócios pede ao Congresso que rejeite “taxa das blusinhas”

A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) divulgou nota nesta quarta-feira (13) em que repudia a Medida Provisória 1.357/2026, assinada pelo presidente da República, e a Portaria MF 1.342/2026, do ministro da Fazenda, ambas editadas em 12 de maio de 2026. Os dois atos, publicados no mesmo dia, reduziram a zero a alíquota do Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até 50 dólares e esvaziaram o regime tributário derivado da Lei 14.902/2024, a chamada “taxa das blusinhas”.

O setor mais exposto à decisão, segundo a nota, é o comércio varejista de vestuário e acessórios, o maior segmento de micro e pequena empresa do Brasil. A confederação informa que há 23,9 milhões de pequenos negócios com CNPJ ativo no país e que o faturamento das MPEs de moda recuou 15,9% em março de 2026, um dos piores resultados do período. Estudo da Confederação Nacional da Indústria, citado pela CACB, estima que a vigência da taxa havia preservado 135 mil empregos e mantido R$ 20 bilhões na economia brasileira.

Para o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, a indústria produz os produtos e paga seus impostos. “Essa é uma visão totalmente contra a sociedade. Você deixa o mercado internacional importar sem impostos e, aqui quem trabalha, produz, tem que pagar os impostos, pagar os encargos sociais e etc. É uma competição desleal”, conclui.

A confederação contesta a justificativa oficial de que a medida beneficiaria a população mais pobre. O argumento, segundo a nota, não resiste ao primeiro exame: quem sustenta a renda das classes populares é o comércio formal, com suas vagas com carteira assinada. A CACB afirma que retirar a taxa não é proteção social, mas o oposto.

Ao final, a CACB dirige três pedidos ao Congresso Nacional: rejeitar a MP 1.357/2026 e restaurar o regime tributário da Lei 14.902/2024; garantir que qualquer revisão futura da política tributária sobre o comércio eletrônico transfronteiriço seja precedida de audiência pública obrigatória com o setor produtivo; e assegurar horizonte mínimo de previsibilidade regulatória.

O documento encerra com a afirmação de que tributo é matéria de Estado, não estratégia de campanha, e que a entidade se coloca à disposição do Congresso para o debate técnico e institucional.

>>> Confira o teor da nota na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO

Posicionamento institucional da CACB sobre a MP nº 1.357/2026 que reduz a zero a alíquota do Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até US$50 – a “taxa das blusinhas”

A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em nome do empresariado que responde por 93,8% do tecido empresarial brasileiro formado pelas micro e pequenas empresas, manifesta sua mais firme reprovação ao conjunto normativo editado em 12 de maio de 2026: a Medida Provisória nº 1.357/2026, assinada pelo Presidente da República, e a Portaria MF nº 1.342/2026, do Ministro da Fazenda. Em conjunto, esses atos reduzem a zero a alíquota do Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até US$ 50 e esvaziam o regime tributário derivado da Lei nº 14.902/2024, popularmente conhecido como “taxa das blusinhas”.

Trata-se, em essência, de subsidiar o concorrente estrangeiro com o dinheiro que o Estado deixa de cobrar dele – à custa do pequeno comerciante brasileiro, que recolhe seus tributos integralmente. Para entender a incoerência desse passo, basta seguir o calendário. Em 2023, o próprio governo federal zerou o Imposto de Importação para as plataformas certificadas pelo Programa Remessa Conforme, sob a justificativa de modernizar o controle aduaneiro e combater a evasão fiscal. Em 2024, diante da reação organizada do varejo, foi o mesmo governo que sancionou a Lei nº 14.902/2024, dessa vez jogando a responsabilidade no Congresso – mesmo sendo a lei sancionada pelo Presidente. A regra rendeu mais de R$ 5 bilhões em 2025 e seguia em trajetória de alta. E em 2026, sem mudança no quadro técnico, sem audiência pública e sem fato novo, é o mesmo governo que resolve reverter tudo em um único dia, esvaziando aquilo que ele próprio defendeu, sancionou e arrecadou. Em menos de três anos: zero, vinte, zero. Não houve mudança de cenário – houve mudança de conveniência.

E a conveniência tem nome. A reavaliação, registrada pela imprensa econômica, está abertamente associada ao desgaste eleitoral provocado pela cobrança. E não por acaso: segundo o Instituto Locomotiva, 82,6 milhões de eleitores brasileiros já compraram em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress, base de clientes diretos superior aos 60 milhões de votos que elegeram o atual governo no segundo turno de 2022. Pesquisa Atlas de março de 2026 ratifica o cálculo: 62% dos brasileiros consideram a taxa o maior erro do governo e, a menos de cinco meses do primeiro turno eleitoral, preferiu-se priorizar as eleições ao empreendedor brasileiro.

Há, no país, 23,9 milhões de pequenos negócios com CNPJ ativo e o setor colocado diretamente na linha de tiro é o maior de todos: o comércio varejista de vestuário e acessórios é o maior segmento de micro e pequena empresa do Brasil, sustentado por uma cadeia têxtil que emprega milhões de brasileiros. Trata-se de um setor que já está sangrando: o faturamento das MPEs de moda recuou 15,9% em março de 2026, um dos piores recuos do país. E o consumidor já vinha migrando, movidos pelo preço que, agora, o Estado brasileiro decide subsidiar com renúncia fiscal.

Apresentou-se, na cerimônia de assinatura, a justificativa de que a medida viria a “beneficiar a população mais pobre”, o que não resiste ao primeiro exame. Quem efetivamente sustenta a renda das classes populares no Brasil é o comércio formal, responsável por centenas de milhares de vagas com carteira assinada no Brasil. Estudo da Confederação Nacional da Indústria estima que a “taxa das blusinhas” preservou 135 mil empregos e R$ 20 bilhões na economia brasileira. Retirar a taxa não é proteção social, é o oposto disso. Aos dados, some-se a Constituição.

É vedado tratamento tributário desigual entre contribuintes em situação equivalente – vender uma blusa ao consumidor brasileiro é o mesmo fato gerador, ocorra ele em uma loja do Brás, em São Paulo, ou em um galpão na China. A livre concorrência e a segurança jurídica das regras tributárias ficam comprometidas quando um regime sancionado por lei ordinária, aprovada com larga maioria no Congresso, é esvaziado pela combinação de Medida Provisória presidencial e portaria ministerial editadas no mesmo dia, sem fato novo, sem audiência pública com o setor afetado e sem consulta às entidades representativas da micro e pequena empresa brasileira.

Diante do exposto, a CACB rechaça em definitivo a MP nº 1.357/2026 e a Portaria MF nº 1.342/2026 e conclama o Congresso Nacional a rejeitar a medida provisória e portaria no exercício de sua competência constitucional, restabelecendo o regime tributário derivado da Lei nº 14.902/2024. Reivindica, ademais, que qualquer revisão futura da política tributária aplicada ao comércio eletrônico entre países seja precedida de audiência pública obrigatória com setor produtivo e observe horizonte mínimo de previsibilidade regulatória. Tributo é matéria de Estado, não estratégia de campanha. A CACB se coloca, desde já, à disposição do Congresso Nacional para o debate técnico e institucional sobre o tema. (Nota oficial da CACB – Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil)

Compartilhe:
Notícias relacionadas
“Sinfonia de uma Cidade”: documentário que celebra os 150 anos de Jaraguá do Sul estreia na SCAR
Destaques

“Sinfonia de uma Cidade”: documentário que celebra os 150 anos de Jaraguá do Sul estreia na SCAR

Com direção de Gilmar Moretti, documentarista, ex-presidente e conselheiro da ACIJS, obra reúne três décadas de registros históricos e contemporâneos da cidade, com sessões gratuitas nos dias 17 e 18, no Centro Cultural

Leia mais
Turismo invisível: seminário em Jaraguá do Sul mostra como os bastidores da hospitalidade fortalecem a economia regional
Destaques

Turismo invisível: seminário em Jaraguá do Sul mostra como os bastidores da hospitalidade fortalecem a economia regional

Evento gratuito, promovido pelo Núcleo de Turismo e Hospitalidade da ACIJS, reúne especialistas, empreendedores e operadores para discutir oportunidades de negócios, inovação e desenvolvimento dos destinos turísticos

Leia mais
WEG, Lunelli e Mime representam Jaraguá do Sul entre as 100 Maiores Empresas de SC
Destaques

WEG, Lunelli e Mime representam Jaraguá do Sul entre as 100 Maiores Empresas de SC

Juntas, as três companhias do Vale do Itapocu somam R$ 44,27 bilhões em receita líquida no ranking 2026 da Revista Amanhã e PwC Brasil

Leia mais
Comissão organizadora da EXPO 150 apresenta balanço e prestação de contas do evento
Destaques

Comissão organizadora da EXPO 150 apresenta balanço e prestação de contas do evento

Apresentação no Centro Empresarial detalhou arrecadação de mais de R$ 2,3 milhões, público de 35 mil pessoas, repasses a entidades sociais e o lançamento de um anuário do evento

Leia mais
SC assume liderança nacional e impulsiona destaque de Jaraguá do Sul no ranking de competitividade
Destaques

SC assume liderança nacional e impulsiona destaque de Jaraguá do Sul no ranking de competitividade

Estado desbanca hegemonia de 14 anos de São Paulo no estudo do Centro de Liderança Pública; Jaraguá do Sul alcança o 9º lugar entre os municípios mais competitivos do Brasil

Leia mais
Top of Mind destaca WEG entre as marcas mais lembradas de Santa Catarina
Destaques

Top of Mind destaca WEG entre as marcas mais lembradas de Santa Catarina

Evento em Florianópolis premiou destaques a partir de pesquisa do Instituto Mapa e empresa de Jaraguá do Sul obteve novo reconhecimento estadual

Leia mais
Newsletter

Receba em seu e-mail as novidades e eventos que acontecem na região.