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Publicado em 20/10/2026
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Como aumentar o valor da sua empresa: especialista aponta os pilares para garantir governança, sucessão e atração de capital

Duas empresas do mesmo setor, com o mesmo faturamento de R$ 100 milhões e a mesma margem de lucro operacional (EBITDA) de R$ 15 milhões, podem ter avaliações de mercado drasticamente diferentes? A resposta é sim — e a diferença entre elas pode ultrapassar a marca dos R$ 30 milhões.

Esse foi um dos pontos centrais abordados pelo especialista em fusões e aquisições (M&A) e conselheiro de empresas Roberto Valverde, durante palestra no Encontro Empresarial da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (ACIJS), nesta segunda-feira (19). Falando sobre o tema “Como aumentar o valor da sua empresa”, o especialista abordou junto de lideranças e empresários da região questões como governança, sucessão familiar, gestão de caixa e atração de investimentos.

Segundo Valverde, o valor de mercado de um negócio não depende apenas das suas cifras atuais, mas da qualidade e da previsibilidade do seu modelo de gestão. “As decisões tomadas hoje determinam as alternativas de amanhã. É isso que define se uma empresa poderá escolher seu futuro com tranquilidade ou se acabará decidindo sob pressão”, destacou.

A armadilha do crescimento sem caixa

Um dos destaques do evento foi a desmistificação do conceito de que faturar mais é garantia de sucesso. Valverde apresentou simulações práticas mostrando como um processo de expansão mal planejado pode ser fatal.

Em um cenário onde uma companhia eleva sua receita de R$ 100 milhões para R$ 150 milhões, Valverde a necessidade adicional de capital de giro e investimentos em ativos (CAPEX) pode consumir milhões em caixa no primeiro ano. Se o Retorno sobre o Capital Investido (ROIC) for inferior ao custo de capital do negócio, o crescimento acaba por destruir valor econômico em vez de gerar riqueza.

Para ilustrar a busca pela eficiência de capital, a apresentação citou gigantes da própria região, como a WEG, referência de atuação global, com taxas de ROIC acima de 30%.

Gargalo familiar: o desafio da sucessão

Outro gargalo crítico apontado na palestra diz respeito às empresas de controle familiar. Com base em levantamento global da Deloitte Private feito com mais de 1,5 mil empresas familiares, Valverde trouxe dados alerta para o mercado: 63% dos empresários não demonstram alta confiança na preparação da próxima geração para assumir os negócios.

Segundo ele, apesar de 40% das companhias preverem a transição do comando principal (CEO) ao longo da próxima década, menos da metade (46%) conta com um plano sucessório abrangente e estruturado. O despreparo dos herdeiros foi citado por 35% dos entrevistados como o maior obstáculo para a continuidade do negócio.

O consultor deixou um recado aos empresários da região:

. Investir na governança corporativa das empresas para ter dados seguros para a tomada de decisões

. Eleger as pessoas certas para executarem as áreas mais estratégicas da companhia

. Empresas não podem depender única e exclusivamente do dono fundador

. Tenha um conselho consultivo para ajudar com orientações de pessoas de fora com experiências diferentes para ajudar a sua empresa com os próximos passos, sempre pensando no médio e longo prazo.

O que valoriza uma empresa no mercado?

Para investidores ou potenciais compradores, os fatores que impulsionam o valor (valuation) de uma empresa vão muito além do faturamento bruto. Entre as principais diferenças que fazem uma empresa valer até 50% a mais do que sua concorrente direta, destacam-se:

  • Receita previsível e diversificada: Menor dependência de poucos clientes e maior presença de contratos recorrentes.
  • Autonomia operacional: Gestão profissionalizada em que as decisões estratégicas não dependem exclusivamente da figura do fundador.
  • Dados e controles auditáveis: Transparência financeira e mapeamento claro de riscos e passivos trabalhistas ou fiscais.
  • Poder de precificação: Capacidade de reajustar margens sem perder volume de vendas.

Preparação constante para o mercado

Diante de um cenário em que o Brasil acumula mais de US$ 86 bilhões em Investimento Direto no País (IDP), em setores como energia, infraestrutura, tecnologia e indústria, a busca por parceiros estratégicos e capital de crescimento é uma realidade palpável.

A principal recomendação deixada aos empresários de Jaraguá do Sul foi clara: “Construa uma empresa que alguém compraria, mesmo que você nunca queira vender”.

A lógica, explica Valverde, é que, ao profissionalizar a gestão, sanar os riscos e dar autonomia à equipe, o empresário ganha o ativo mais valioso de todos: a liberdade de escolha sobre o futuro da sua organização.

>>> Confira a apresentação de Roberto Valverde:

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