Acordo Mercosul e União Europeia fará economia crescer, mas há desafios a serem vencidos, afirmam especialistas
A consolidação do acordo entre países do Mercosul e da União Europeia pode trazer dividendos positivos para o Brasil, mas este objetivo será mais fácil de ser alcançado se as indústrias se adequarem para enfrentar a concorrência imposta pelo livre comércio e o País acelere em reformas estruturais.
Um quadro das oportunidades e de desafios que o acordo pode oferecer ao Brasil foi apresentado a empresários de Jaraguá do Sul e região durante encontro promovido pela ACIJS e FIESC nesta quinta-feira (22).
O assunto foi abordado por Carlos Eduardo Abijaodi, diretor de desenvolvimento industrial, e Fabrízio Sardelli Panzini, gerente de negociações internacionais da CNI – Confederação Nacional da Indústria. Os dois especialistas ressaltaram que o acordo traz aspectos vantajosos para uma retomada do crescimento econômico no Brasil, mas também impõe necessidades de cumprimento a uma agenda que estimule a competitividade da indústria, seja pelo equilíbrio fiscal, menor burocracia e mais atenção à infraestrutura e logística.
“É o maior acordo comercial da história do Brasil, com a eliminação de barreiras e a possibilidade de entrada de recursos que poderão trazer um novo ciclo econômico. Mas o sucesso vai depender de como estivermos preparados para esta relação com outros países”, avalia Fabrízio.
Conforme Carlos Abijaodi, a CNI mantém uma agenda de acompanhamento e de discussão com o governo visando apresentar sugestões e de orientação às empresas. “O trabalho de mobilização é importante e as associações empresariais, sindicatos e entidades representativas devem acompanhar as movimentações do acordo”, assinala.
O presidente da ACIJS, Anselmo Luiz Jorge Ramos, concorda que o tema deve mercer acompanhamento permanente do setor produtivo. “É um acordo que oferece o desafio da indústria nacional se reinventar, de termos um novo momento de oportunidades e ao mesmo tempo ameaças que precisam ser enfrentadas”, observou.
Embora ressaltem que a definição do acordo é uma estratégia que vem sendo discutida há muitos anos e se trata de uma decisão da cúpula do Mercosul, reações externas ampliam as dificuldades de um entendimento na rapidez desejável. Reflexos da disputa entre Estados Unidos e China, questões diplomáticas e divergências ideológicas entre governos, ou debates sobre o meio ambiente, na avaliação dos dois especialistas trazem influência para que o acordo seja definido em sua totalidade, mas não impedem entendimentos pontuais entre os países.
Para eles, quanto mais rapidamente o Brasil avançar em reformas como a tributária e a fiscal, a exemplo do encaminhamento com a reforma previdenciária, maior será o nível de confiança da comunidade internacional. “O mercado precisa de tranquilidade, a economia reage de acordo com os posicionamentos do governo, com mais infraestrutura e logística, educação profissional e regras mais claras que traga a confiança de quem investe, são decisões que podem levar o país a ser mais competitivo, uma balança comercial favorável e com uma agenda que estimule as concessões e privatização. Isto poderá levar a um crescimento anual de 3%, e a termos uma melhor imagem externa”, argumenta Abijaodi.
No encontro, a presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante, e o vice-presidente regional no Vale do Itapocu, Célio Bayer, reforçaram o compromisso da entidade com a internacionalização da indústria catarinense. Conforme Maria Teresa, trata-se de um dos eixos da atual gestão e conta com a atuação direta do presidente Mario Cezar de Aguiar com o objetivo de ampliar a presença de Santa Catarina no mercado global. Presidente da Câmara Setorial da FIESC para as micro e pequenas indústrias, Célio Bayer também entende que o acordo pode favorecer a uma maior participação de segmentos produtivos que ainda não participam ativamente do mercado internacional, seja nas pautas de importação ou de exportação.
O que representa o acordo
. O Mercosul representa 75% do PIB (Produto Interno Bruto) da América do Sul e um mercado de consumo estimado em mais de 260 milhões de pessoas
. A comunidade europeia representa a maior economia do mundo, com mais de 500 milhões de habitantes, responde por um PIB de 20 trilhões, por 32% das importações do planeta, por 33% das exportações e por 21% dos investimentos globais
>> Confira a íntegra da palestra >> https://youtu.be/d6jJ3idGZqA
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