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Publicado em 05/07/2026
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Jaraguá do Sul 200 anos: painel apresenta o legado de uma cidade preparada

“O maior desafio para a sustentabilidade social e econômica de Jaraguá do Sul não é prever o futuro ou construir obras isoladas, mas sim consolidar um sistema de governança geracional que aprenda permanentemente com os dados, permitindo-nos honrar o legado dos nossos antepassados e proteger a qualidade de vida da nossa comunidade perante qualquer cenário.”

Durante a Expo 150, evento que celebrou o sesquicentenário de Jaraguá do Sul, o painel conduzido por Anselmo Luiz Jorge Ramos, secretário de Planejamento e Urbanismo, trouxe uma reflexão profunda sobre o futuro do município. O debate propôs uma mudança cultural na gestão pública e comunitária, preparando a cidade para o seu segundo centenário.

>>> Durante a apresentação, o secretário Anselmo Ramos destacou que o crescimento demográfico e econômico acelerado de Jaraguá do Sul exige soluções modernas de mobilidade urbana, infraestrutura e sustentabilidade ambiental
[Fotos: WeArt]

Da posse à missão de guardar: uma responsabilidade das novas gerações

Para o secretário, viver em uma cidade significa colher os frutos de escolhas feitas por gerações passadas, muitas vezes por pessoas que sequer conhecemos.

Essa constatação muda a relação das pessoas com o espaço urbano: “não somos donos da cidade, mas sim seus guardiões temporários”. Sob essa ótica, diz, a pergunta central da gestão urbana deixa de ser “o que queremos da cidade hoje?” e passa a ser “que cidade vamos entregar para as próximas gerações?”.

Anselmo pontua que Jaraguá do Sul aprendeu cedo que o desenvolvimento e a prosperidade não acontecem por acaso, mas sim são plantados e cultivados.

Anselmo Ramos lembra, destacando marcos, que a história do planejamento estratégico local valida essa premissa ao longo das últimas três décadas:

  • 1991–1995 (Jaraguá 2010): Nascido de uma provocação no ambiente empresarial liderada pela ACIJS e abraçado por mais de 600 pessoas dos setores público e privado, o plano tornou-se um projeto de cidade, e não de governo.
  • 2006 (Jaraguá 2030): Próximo ao vencimento do primeiro ciclo, o município reuniu 72 entidades representativas (associações de moradores, de classe, da área da saúde e assistência social) para avaliar acertos e erros. Desse alinhamento coletivo, nasceu o plano 2030 e o Fórum Permanente de Desenvolvimento (Fórum Pró-Jaraguá).
  • 2023 (Comitê de Desenvolvimento Econômico): Criado por decreto municipal, instância integra representantes do poder público (prefeito e secretarias estratégicas) e do setor produtivo (ACIJS, CDL, FIESC, Novale Hub Centro de Inovação e Vale dos Encantos Convention Bureau) se reúne mensalmente para debater os grandes temas estruturantes, atuando como um Conselho Consultivo ao Executivo.
  • 2025–2026 (GT Planejamento Estratégico 200 Anos): Em consonância com a Comissão dos 150 anos do município, estruturou-se o grupo de trabalho para desenhar os próximos 50 anos da cidade, projetando o horizonte até 2076.

O erro de projeção como sinalizador

Anselmo Ramos é enfático: tentar adivinhar como o mundo estará daqui a meio século é um equívoco, pois o futuro é intrinsecamente surpreendente. “Há 50 anos, ninguém previa o impacto da internet, dos smartphones, das mudanças climáticas ou de uma pandemia”, pondera.

Ao revisar o plano Jaraguá 2010, relembrou o painelista, percebeu-se que as projeções matemáticas e técnicas haviam falhado. Mas ele enfatiza: no planejamento estratégico, desvios não são erros, mas sinalizadores de comportamento humano. “Em 1995, por exemplo, estipulou-se a meta de ter um orelhão a cada 300 metros nas vias estruturantes. Em 2006, a meta mudou para a cobertura universal de Wi-Fi. Hoje, a realidade é o 5G e a conexão via satélite. A tecnologia mudou, mas a essência do desejo permaneceu idêntica, afinal as pessoas precisam e querem estar conectadas”.

Outro exemplo prático que o secretário trouxe ocorreu na segurança pública. Na década de 1990, a cidade contava apenas com uma companhia policial vinculada a Joinville, com poucos recursos. A mobilização conjunta da sociedade, do poder público e das entidades empresariais garantiu a vinda de um batalhão próprio e investimentos locais em armamentos e estrutura. Quinze anos depois, Jaraguá do Sul colheu o resultado desse planejamento ao ser reconhecida nacionalmente como a cidade mais segura do país.

“O maior aprendizado desse processo foi entender que o verdadeiro legado não é entregar um documento estático, mas sim construir um sistema municipal capaz de aprender e se revisar permanentemente. Em vez de focar apenas em projeções rígidas, a cidade passou a adotar a antecipação de cenários, monitorando espectros de possibilidades e corrigindo rumos em tempo real”.

Os pilares da cidade preparada

Para superar o desafio de longo prazo e garantir decisões consistentes pelos próximos 50 anos, o secretário de Planejamento aponta que a gestão deve se sustentar em três pilares fundamentais:

  1. Dados: A consolidação de uma cultura de gestão pública baseada em evidências. É necessária uma busca incansável por indicadores profundos para subsidiar decisões técnicas e afastar o empirismo.
  2. Mundo (contexto global): Leitura constante das tendências internacionais. Embora o município não controle a geopolítica ou a macroeconomia, a forte matriz exportadora de Jaraguá do Sul exige que a cidade esteja pronta para os impactos externos.
  3. Pessoas: Engajamento legítimo da comunidade no processo de curadoria urbana, garantindo que o planejamento sobreviva às trocas de mandatos políticos.

Análise sistêmica e forças externas

O painel mostrou que o planejamento da cidade dos próximos 50 anos encontra apoio em dados municipais (demográfico, econômico, mobilidade/território, educação/capital humano, governança/qualidade de vida e meio ambiente). Por exemplo, indica Ramos, contrapor um crescimento populacional expressivo a um território que possui 64% de Mata Atlântica exige soluções de adensamento inteligente. Da mesma forma, monitorar uma expansão de 46% da mancha urbana nos últimos 20 anos alerta para a necessidade de otimizar os custos operacionais do transporte público de longo prazo.

Além do cenário interno, o planejamento mapeou forças externas capazes de alterar o destino da cidade, como a automação industrial e as mudanças climáticas. Identificar que apenas uma pequena parcela da força de trabalho local é formada em Tecnologia da Informação e Computação (TIC) provoca o município a alinhar suas instituições de ensino para suprir a demanda futura das empresas locais.

Os vetores da preparação

Conforme o secretário, Jaraguá do Sul já trabalha em vetores de posicionamento bem definidos: a inteligência gera eficiência (Cidade Inteligente); a sustentabilidade garante a permanência (Cidade Sustentável); e a meta de Carbono Neutro atua como o grande norteador ambiental e econômico do Plano 200 Anos.

O conceito final que unifica todas essas frentes, completa o secretário, é o de uma Cidade Preparada. “Ser uma cidade preparada não significa ter respostas prontas para todas as perguntas ou prever o futuro com precisão, mas sim possuir a resiliência e a flexibilidade necessárias para reagir corretamente e no tempo certo a qualquer cenário que se apresente. Este é o verdadeiro legado construído para garantir o bem-estar e o futuro da comunidade”, conclui Anselmo Ramos.

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