Cadastro positivo pode assegurar mais confiança ao ambiente de negócios, avalia ACIJS
O presidente da ACIJS e do Centro Empresarial, Anselmo Ramos, diz que a entrada em vigor do Cadastro Positivo é uma medida acertada que pode trazer impactos na economia brasileira. Instituído por lei federal em abril deste ano, o sistema prevê a adesão automática de informações de histórico de pagamentos aos chamados birôs de crédito como Serasa e SPC, por exemplo. Estes dados passam a servir de base na atribuição de notas de crédito utilizadas como referência em tomadas de empréstimos e na concessão de créditos, entre outras operações.
“Um dos maiores problemas que as empresas enfrentam está relacionado com o as incertezas do ambiente de negócios, o que faz com que iniciativas que tragam de alguma maneira maior segurança para quem produz um bem ou serviço, e a entrega ao seu consumidor, sejam sempre bem-vindas. O Cadastro Positivo traz esta perspectiva de maior confiança nas transações na medida em que permite que se tenha um histórico de bom comportamento e do nível de adimplência do consumidor e isto, certamente, ajuda a termos um ambiente econômico mais seguro, com um consumo mais qualificado e com reflexos no ciclo econômico”, afirma o empresário.
O Cadastro entrou em vigor nesta terça-feira (9) e servirá de base para atribuição de notas de crédito a cada cidadão, que serão utilizadas como referência na tomada de empréstimos e realização de crediários, entre outras operações. O cadastro positivo já existe no país, mas dependia da autorização do indivíduo para que fosse incluído na lista.
A diferença da nova modalidade consiste na adesão automática, sem que a pessoa tenha de dar qualquer permissão para que informações de histórico de pagamento possam ser avaliadas pelos bureaus de crédito para formar as notas.
Serão avaliados os “dados financeiros e de pagamentos, relativos a operações de crédito e obrigações de pagamento adimplidas ou em andamento”, conforme descrito na lei.
Entram aí, por exemplo, o quanto uma pessoa atrasou pagamentos de contas ou de cartão de crédito, que dívidas ela tem, com que empresas e sua capacidade financeira de arcar com compromissos adquiridos. Podem, inclusive, ser consideradas informações de desempenho também dos familiares de primeiro grau.
A lei vetou o uso de algumas informações pessoais dos cidadãos para a formação da nota, como as que “não estiverem vinculadas à análise de risco de crédito e aquelas relacionadas à origem social e étnica, à saúde, à informação genética, ao sexo e às convicções políticas, religiosas e filosóficas”.
Essas notas (ou score, no termo em inglês utilizado entre as empresas) podem ser empregadas por empresas e instituições financeiras para determinados tipos de transação.
Cada empresa vai definir a forma de adotar as notas e que tipo de restrição determinados índices podem trazer, como na diferenciação de condições, taxas de juros ou de acesso a serviços.
Os consumidores que não quiserem ter seus dados incluídos no cadastro positivo podem solicitar a retirada. Essa requisição deve ser feita juntamente aos bureaus de crédito, como Serasa, SPC e Boa Vista Serviços.
Caso a pessoa desista da saída do sistema, pode pedir o retorno ao cadastro. Esses procedimentos podem ser realizados presencialmente ou por meio dos sites dessas empresas.
A diretora de Operação de Dados da Serasa Experian, Leila Martins, disse que o consumidor também pode requisitar aos bureaus a disponibilização das informações sobre ele e cobrar a correção em caso de dados errados.
“Se ele entende que tem algum dado que não considera correto, pode contestar. A fonte que deu origem tem que responder”, explicou.
Para o presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), Elias Sfeir, o novo sistema pode gerar benefícios aos consumidores.
“Com o cadastro positivo você tem uma pontuação mais próxima realmente do seu comportamento. Tendo essa pontuação mais próxima, os agentes de crédito podem fazer melhor avaliação e dar uma taxa melhor de juros, considerando o seu perfil”.
A promessa do novo cadastro positivo é que com tais informações, bancos, fintechs e outras instituições reduzam taxas e juros.
Segundo Sfeir, em países que adotaram esse modelo houve queda de 45% da inadimplência, o que causou impacto na redução de spreads bancários. Com isso, haverá espaço para incluir pessoas no sistema de crédito, beneficiar micro e pequenas empresas e aumentar a arrecadação.
Na avaliação do coordenador de direito digital do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Diogo Moyses, além do cadastro positivo violar a privacidade dos consumidores, há problemas a serem resolvidos na sua implementação.
O primeiro é o fato de a legislação apontar a possibilidade de uso de alguns dados não expressos, o que abriria espaço para abusos. Por isso, acrescenta, é importante que o Banco Central e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (aprovada em lei neste ano, mas ainda não criada pelo governo) regulamentem de forma detalhada os registros dos consumidores que podem ser utilizados para a formação da nota.
A segunda preocupação envolve em que tipo de transação a nota de crédito será admitida.
Ele cita como exemplo as operadoras de telefonia, que já estão restringindo o acesso a planos pós-pagos a pessoas com notas baixas.
“Há um receio que o score seja utilizado para cercear o acesso dos consumidores além das relações de crédito. Milhões de consumidores podem ser excluídos economicamente. Em vez de gerar inclusão, o cadastro pode se tornar instrumento de exclusão. Ainda mais com cenário de pessoas desempregadas e aumento da inadimplência”, afirmou. [Com informações da Agência Brasil]

A longo prazo, a implantação da medida pode trazer impactos positivos para a economia, avalia Anselmo Ramos
Crédito da foto: Ronaldo Corrêa
Diretoria da ACIJS recebe deputado Antídio Lunelli e reforça pleitos prioritários da região
Parlamentar apresentou balanço do mandato e detalhou investimentos assegurados para infraestrutura, saúde e segurança no Norte catarinense
FACISC manifesta preocupação com plano de concessões e cobra duplicação integral de rodovias federais em SC
Entidade defende que novos contratos de infraestrutura devem garantir investimentos estruturantes para eliminar gargalos logísticos e aumentar a segurança nas BRs 153, 280, 282, 470 e 480
Historiador avalia protagonismo de Jaraguá do Sul e a importância de fortalecer representatividade política
Pesquisa do historiador Ademir Pfifer faz resgate sobre o desenvolvimento de Jaraguá do Sul e reforça a importância da campanha das entidades empresariais pelo Voto Local para ampliar a representatividade da região
Palestra gratuita ensina como transformar área comercial em uma “Máquina de Vendas”
Especialista André Moura apresenta o método SPIN Selling e estratégias para escalar resultados com processos previsíveis em palestra gratuita, dia 14, na ACIJS.
Projeto de Lei propõe mobilização para ampliar destinação de recursos do IR a projetos sociais
Proposta do deputado Antídio Lunelli cria o Programa Estadual de Mobilização Fiscal Cidadã para conscientizar contribuintes sobre a destinação de recursos dedutíveis impostos a pagar
Jaraguá do Sul fortalece laços com a República Tcheca e projeta expansão na União Europeia
Agenda incluindo workshop e visita a empresas da região é pauta estratégica para a maior internacionalização de negócios com foco em inovação e tecnologia, diante das nas novas perspectivas do acordo Mercosul-UE