Notícias 27 set, 21

Reaquecimento da economia no pós-pandemia vai exigir mais atenção com a qualificação profissional, avaliam entidades

Economia reage, mas qualificação de mão de obra ainda é desafio

Os dados da Sondagem Industrial apurada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que a utilização da capacidade instalada segue elevada em agosto, acima do registrado em anos anteriores, mesmo se comparada com o desempenho de 2020, quando a Indústria vinha em forte recuperação após a paralisação causada pela Covid-19.

O emprego também continua crescendo, segundo o levantamento. O nível de estoques praticamente não mudou no mês, e segue abaixo do planejado pelas empresas. Destaca-se, que a diferença entre o nível de estoque efetivo e o planejado é muito menor que no mesmo mês de 2020, quando o problema da falta de insumos e matérias-primas vinha se tornando mais crítico. 

As expectativas dos empresários mostraram acomodação no mês, mas seguem especialmente positivas. Nesse cenário, de otimismo do setor produtivo e de alta utilização da capacidade instalada, a intenção de investir do empresário segue também elevada. 

Setores como o de panificação têm apresentado bom desempenho, segundo os indicadores econômicos

Para o presidente da ACIJS e do Centro Empresarial de Jaraguá do Sul, Luis Hufenüssler Leigue, Santa Catarina segue acompanhando o quadro nacional, onde setores como o da indústria e do agronegócio apresentam performances positivas. Além disso, as exportações têm favorecido o estado e segmentos tradicionais como o metalmecânico e da construção civil reagem nas suas movimentações. Contudo, o empresário faz a ressalva de que em setores como o de bens de consumo ainda há retrações. O poder de compra da população, especialmente na camada de média e baixa renda, se ressente de mais impulso. Há um comprometimento maior de recursos que poderiam aquecer a economia, por conta de fatores como o aumento de preços e a influência da elevação do dólar.

“Se por um lado vemos uma reação positiva com a geração de empregos, por outro lado há a preocupação com a qualificação de mão obra para as vagas que vão surgindo. Na microrregião, por exemplo, há muitas vagas em aberto, mas é preciso qualificar mais a mão de obra”, observa Leigue. Para ele, esse é um tema que deve merecer cada vez mais atenção dos setores organizados, considerando a retomada econômica no pós-pandemia.

Célio Bayer, vice-presidente da Federação das Indústrias na região da Amvali (Vale do Itapocu), diz que os indicadores apontados pela CNI refletem um quadro também percebido nos levantamentos da FIESC. “Há uma tendência de crescimento no nível de emprego, ainda que comparando com os indicadores do ano passado ele se mostre abaixo porque houve o impacto da pandemia”, assinala. Na região, explica, o desempenho é positivo ao se considerar que somente em Jaraguá do Sul foram gerados mais de 5 mil postos de trabalho de janeiro a julho deste ano.

Outro indicativo de que em 2021 a economia reage positivamente, explica Bayer, é a ampliação das oportunidades em áreas ligadas à informática e tecnologia da informação, com mais vagas para técnicos em programação. Essa demanda, entretanto, requer maior nível de especialização, mas diante da falta de profissionais muitas empresas apostam na formação de pessoal do chamado ‘chão de fábrica’ para atender suas necessidades. “O cenário esse ano continuará positivo e mesmo para 2022, um ano eleitoral em que sempre pode ocorrer uma retração, ainda assim a expectativa é de crescimento relativo, também porque há uma perspectiva de incremento na internacionalização das empresas”, pondera Célio Bayer.   


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