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Publicado em 09/11/2022
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Industrialização e infraestrutura podem ajudar Brasil a enfrentar recessão global, avalia economista

O cenário de juros altos e inflação que atinge importantes economias, associados aos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia que se estende há mais de 8 meses, devem conduzir o mundo a uma recessão em 2023.

O Brasil e Santa Catarina, contudo, podem passar ao largo da crise, ou sentirem menor impacto, com ações pontuais que envolvem o setor produtivo e decisões de médio e longo prazo a serem adotadas pelo novo governo.

A avaliação é do economista-chefe da FIESC, Pablo Felipe Bittencourt, durante reunião do Comitê de Desenvolvimento Regional nesta terça-feira (8), no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul.

Iniciativa da vice-presidência da FIESC no Vale do Itapocu, com apoio da ACIJS, o encontro mobilizou lideranças e definiu estratégias que envolvem desde a garantia de continuidade de obras públicas importantes para a região, a definição de uma agenda com as principais demandas da classe empresarial para maior competitividade da indústria, a captação de linhas de incentivo voltadas ao crédito, e de programas de apoio à inovação e na internacionalização principalmente voltadas para a micro, pequena e média empresa.

A análise do economista segue na mesma perspectiva de analistas internacionais que apontam para um período de maiores dificuldades pelo menos durante os dois primeiros trimestres, com possibilidade de recuperação a partir do segundo semestre do ano que vem e estabilização em 2024. “A elevação de taxas de juros, o corte no consumo e os preços altos influenciam diretamente os investimentos. São fatores que atingem economias importantes e influenciam na mudança das projeções de crescimento mundial que antes era de 3,2%, para 2,2%”, comenta.

O prolongamento do conflito entre Rússia e Ucrânia, que levaram a restrições no fornecimento de petróleo e energia, afetam principalmente a Europa, mas os reflexos chegam a outros países e alcançam uma escala mundial de dificuldades para a economia. Com menos exportações e problemas com a importação de matérias primas, somados à quedas na renda per capita e dificuldade de crédito que afetam o poder de compra, a indústria não tem como produzir em segmentos importantes para a balança comercial ou atender demandas das cadeias de negócios.

Entretanto, segundo Pablo, o Brasil vem conseguindo minimizar impactos mais acentuados e com decisões acertadas pode encontrar novas oportunidades para sustentar um crescimento econômico nos próximos anos. “É necessário o investimento na industrialização, com o direcionamento para elevar a produtividade, aprofundar o processo tecnológico e retomar investimentos em infraestrutura pública que são sempre positivos na retomada da economia”, completa.

Estas demandas, conforme Pablo, serão organizadas em uma agenda que a FIESC está construindo por meio de um comitê com o objetivo de entender as demandas da indústria catarinense e com isso buscar uma articulação com os governos estadual e federal. O grupo de trabalho, explica, vai apontar as necessidades para maior competitividade, seja em obras estruturantes como na orientação às empresas para a captação de recursos de incentivo para o aumento da capacidade inovadora da indústria, entre outras medidas que ajudem a impulsionar a atividade produtiva. “Existem várias linhas de incentivos fiscais que têm sido pouco utilizadas especialmente por micro e pequenas indústrias. O comitê vai alinhar, em conjunto com as entidades regionais e com a indústria, uma agenda de ações”.

Célio Bayer, vice-presidente da FIESC no Vale do Itapocu, ressaltou que encontrar caminhos para a internacionalização das empresas da região é um dos desafios do Comitê de Desenvolvimento, ao lado da qualificação de trabalhadores da indústria e da ampliação da matriz econômica com parcerias em setores já consolidados como o têxtil e vestuário, metal mecânico, ou áreas em expansão como a da saúde, mobilidade energias renováveis, por exemplo. “A região tem demandas pontuais, identificadas com o comitê para o fortalecimento da indústria”, afirma.

Para a presidente da ACIJS e do Centro Empresarial, Ana Clara Franzner Chiodini, o trabalho conjunto das entidades, de forma articulada com os municípios, vai assegurar o crescimento da região com sustentabilidade. “O comitê tem esse papel, assim como o Pacto de Desenvolvimento e Inovação, com as associações empresariais e Prefeituras se integrando cada vez mais”, acentuou. O empresário Vicente Donini lembrou que o estado e a região têm características diferenciadas em relação ao quadro nacional, citando que o esforço deve ser para que esse direcionamento seja mantido, e assim os indicadores positivos da indústria sejam ainda mais intensificados.

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