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01 de dezembro de 2017

Respeitar vontades e desejos é fundamental para inclusão do deficiente, diz estilista

A pessoa deficiente não quer ser vestida, ela quer se vestir, quer ter o poder de escolha, ela sabe o que deseja usar, e ter esta condição respeitada é o que proporciona inclusão.

A opinião é da estila Michele Simões, pesquisadora de moda e especialista em projetos de acessibilidade e inclusão, falando no 1º Painel de Cases de Inclusão, iniciativa da FIESC por meio do SESI com o objetivo de refletir sobre os desafios e oportunidades que a indústria pode oferecer às pessoas com deficiência, inserindo-as no contexto de consumo e usabilidade dos seus produtos.

Inserida no contexto do projeto "Incluir para crescer", da FIESC, além de palestra sobre o tema “Meu corpo é real”, os participantes acompanharam a apresentação de projetos voltados à inserção de pessoas portadoras de necessidades especiais, e conheceram detalhes de um portal que o SESI desenvolve com o objetivo de compartilhar informações sobre o mercado de trabalho, cursos, eventos e demais ações voltadas à inclusão e à reabilitação de pessoas com alguma deficiência.

Graduada peia Universidade de Londrina (PR) e pós-graduada em Comunicação e Cultura da Moda, Michele é a idealizadora dos projetos "Guia do viajante cadeirante", "Meu corpo é real" e "Fashion day inclusivo". Na palestra a estudantes, professores, lideranças empresariais e gestores de recursos humanos, ela falou sobre a experiência profissional na área e as suas percepções como pesquisadora. Michele aponta vários aspectos que, afirma, dificultam o entendimento da maioria das pessoas quanto às necessidades de portadores de alguma deficiência.

“Prevalece ainda um certo tabu de se falar sobre a deficiência, quase sempre a deficiência é tratada como um estereótipo, como algo impeditivo no direito essencial que é o da escolha. Há soluções que precisam ser buscadas em várias áreas, mas na moda, em especial, percebe-se situações básicas como a ausência de roupas com modelagem e caimento adequados, o despreparo de vendedores e a falta de condições para o cliente provar o produto”, explica.

Michele acentua que como cadeirante passou a se dedicar ao universo que cerca as pessoas com deficiências congênitas ou adquiridas. Como profissional, diz ter percebido a importância da comunicação como um recurso para mudar conceitos que segundo ela ainda estão muito fortes na sociedade. Muitas pessoas, enfatiza, ainda confundem acessibilidade como uma condição de circulação, citando o caso de lojas, restaurantes e outros ambientes públicos em que se melhora a estrutura, mas ignorando detalhes que precisam de atenção, como um banheiro ou estacionamentos, por exemplo.

“Muitas vezes a pessoa deficiente é estigmatizada como sendo alguém incapaz, sem poder de escolha, que não é independente, como se eles não necessitassem participar dos diferentes grupos sociais. O deficiente tem vida ativa em qualquer área, é um consumidor de produtos e serviços”, salienta. Michele lembra os dados do IBGE que apontam uma população de 45 milhões de pessoas – cerca de 24% da população brasileira - que possui alguma deficiência. “Será que estas pessoas não consomem moda, não gostam de moda?”, observa.

Para ajudar a mudar este cenário, Michele conta que passou a desenvolver projetos buscando a inserção de pessoas com deficiência em vários segmentos, mas principalmente reforçar a informação e a comunicação sobre o tema.

Acrescenta que a indústria tem um papel fundamental neste sentido, lembrando que a condição de cidadania vem antes da deficiência, que precisa ser entendida apenas como uma característica. “Felizmente, a indústria tem percebido este público. O mercado de moda inclusiva ainda está sendo formado, é embrionário, mas há soluções que auxiliam a reduzir as barreiras, em vários aspectos. São muitos detalhes que podem fazer com que a experiência de consumo se torne positiva para a pessoa com deficiência. Que se tenha a clareza de que ela quer ter o poder de escolha, de usar o que gostar, ou visitar um local não porque ele tenha estrutura de acessibilidade e sim porque se sinta bem”.

Antes de desenvolver um produto se deve conhecer o público deste produto, realizando uma pesquisa com os deficientes, trazendo a participar deste processo, com dados apurados sobre as características e com isso criar produtos que realmente atendam a necessidades específicas.

Para o vice-presidente da FIESC no Vale do Itapocu, Célio Bayer, o tema é oportuno não apenas para a indústria, mas para a sociedade em geral. O empresário lembra que Jaraguá do Sul vem discutindo a aplicação de legislação de acessibilidade, com indicações que devem refletir na mobilidade das pessoas com deficiência.

O diretor regional do SESI, Jefferson Galdino, falou sobre um portal que em breve será lançado pelo SESI com o objetivo de integrar informações que auxiliem na inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Segundo ele, a plataforma estará acessível a todos os públicos, divulgando boas práticas, oportunidades que as indústrias podem colocar à disposição, entidades organizadas e as instâncias públicas e privadas que atuam na área, partindo do princípio de que a inclusão promove ganhos de cidadania, mas também contribui para a humanização do ambiente de trabalho, o desenvolvimento da capacidade de adaptação da empresa e a melhoria da imagem da corporação nas áreas interna e externa.

O 1º Painel de Cases de Inclusão contou com o apoio do Núcleo de Sustentabilidade Corporativa ACIJS-APEVI e divulgou projetos na área da inclusão das empresas Marisol e Malwee.

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