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20 de maro de 2017

Indústria 4.0 impõe desafios para o Brasil avançar no cenário internacional

As possibilidades de aplicação da chamada Indústria 4.0 e os desafios para a sua plena viabilização no Brasil mereceram reflexões durante a plenária da ACIJS e APEVI. O tema foi apresentado pelo engenheiro Lauro Sebastião Nau, mestre e doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina, gerente de Pesquisa & Inovação Tecnológica da WEG Motores e diretor da ANPEI – Associação Nacional de P&D das Empresas Inovadoras, para quem o País precisa começar a criar condições para se ajustar à realidade mundial de empresas melhor preparadas para o uso de tecnologias inovadoras.

Segundo ele, a Indústria 4.0 ou Manufatura Avançada, como são as designações mais conhecidas já é uma realidade em muitos países. Quanto maior for a demora para que os seus conceitos sejam introduzidos pelas empresas brasileiras menos produtividade e competitividade elas terão no cenário global. “É uma realidade a qual não podemos nos esconder. Não significa que as mudanças dos processos tradicionais para as novas tecnologias ocorrerão simultaneamente, mas é preciso entender que esta condição é irreversível”, afirmou Sebastião Nau.

O especialista reconhece que o tema ainda é novo mesmo para setores da indústria, lembrando que o conceito surgiu na Alemanha como um programa criado pelo governo para promover a automatização da manufatura e, assim, aumentar a produtividade das indústrias daquele país. “Não se trata apenas de automatizar as indústrias e criar meios somente para o aumento da produtividade ou de lucros nos negócios, mas otimizando custos para melhorar a competividade e alcançar ganhos em eficiência, na qualidade dos processos e no ambiente de trabalho”.

Uma das características apontadas da indústria 4.0, aponta Sebastião Lauro Nau, é a quantidade de informações que um sistema de manufatura pode obter e a sua capacidade de processamento destes dados. Com a aplicação de recursos tecnológicos mais avançados haverá uma maior conectividade entre máquinas e pessoas e entre as próprias máquinas, apoiando-se fortemente na automação em interface com o ser humano.

“São vários aspectos a serem considerados, é preciso avaliar as oportunidades e riscos”, reitera Sebastião Nau, incluindo a reavaliação de modelos de negócios. Nos últimos dois anos grupos de trabalho, ressalta, já discutem o assunto no âmbito corporativo e governamental principalmente em relação à liberação de recursos para estimular a indústria nacional e quanto a protocolos de segurança que assegurem confiabilidade no uso de novas tecnologias.

Como resultado de investimentos na área, a expectativa é de que até o ano 2025 os processos relacionados à Indústria 4.0 poderão reduzir custos de manutenção de equipamentos entre 10% e 40%, reduzir o consumo de energia entre 10% e 20% e aumentar a eficiência do trabalho entre 10% e 25%. “São indicadores que podem parecer baixos, mas se considerarmos o volume de produção da indústria se tornam percentuais interessantes”, observa Sebastião Nau.

Uma questão preocupante, apontada pelos setores envolvidos com a discussão é quanto à empregabilidade. Um dos aspectos é a formação, pois já pesquisas indicando que mais da metade dos estudantes do país estão atrás de carreiras que se tornarão obsoletas pelos avanços tecnológicos e automação. Até 2020, dizem os especialistas, 50 bilhões de coisas e 7 bilhões de pessoas – a população do planeta – estarão conectados de alguma forma.

“Vai ser preciso gerar novos e melhores empregos em profissões que ainda não existem, mas que surgirão com a Indústria 4.0. Precisamos saber se as novas gerações estão preparadas para estes novos empregos. Hoje, em relação a outros países, não estamos preparados para esta realidade, mas é necessário começar, pensando na inovação de maneira positiva, em aplicações onde necessariamente não gostaríamos de estar diretamente, mas que podem ser feitas por máquinas, como em ambientes insalubres, trabalhos que exigem muito esforço físico ou em locais perigosos e onde há maiores probabilidades de erro humano. São atividades que podem ser desempenhadas por robôs, mas sempre por trás da máquina haverá a inteligência humana, desde a sua programação e manutenção até a sua projeção para a função designada”, completa Sebastião Nau.






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