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19 de abril de 2017

Cenário é positivo, mas é preciso avançar nas reformas, diz economista

A aprovação de reformas como a da previdência é determinante para que o Brasil inicie um ciclo de retomada da confiança quanto à investimentos e com isto o crescimento econômico. O ambiente externo já se apresenta mais favorável ao País em relação a períodos anteriores, mas é preciso que o governo coloque em práticas medidas que estimulem a produção e o consumo, melhorando a geração de emprego e renda.

A opinião foi compartilhada por Fernando Honorato Barbosa, chefe do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, no 61º Encontro Empresarial da ACIJS, nesta terça-feira no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul. Falando para uma plateia de 150 pessoas sobre cenários e perspectivas econômicas, ele disse que o Brasil ainda se ressente de uma crise que é apontada por estudiosos da história econômica como a mais severa dos últimos 120 anos.

O momento, entretanto, disse Fernando Barbosa, é de retomada da confiança. “Há indicadores claro nesta direção. Se em relação ao mercado interno ainda estejamos enfrentando dificuldades, há todo um cenário positivo para as empresas com negócios no exterior, já que elas são beneficiadas diretamente pelo desempenho de economias como a do Japão, Estados Unidos, Alemanha, Espanha e até mesmo de alguns mercados na América Latina”.

No mercado doméstico, aponta, há o reflexo do desiquilíbrio das contas públicas, que o governo tenta equacionar com duas reformas, do teto dos gastos e a da Previdência. “Com estas duas reformas, as mudanças nas regras trabalhistas como a regulamentação da terceirzação, há expectativas mais positivas, principalmente para os empresários porque dá confiança ao mercado”, observa Fernando Barbosa. Na avaliação dele, as reformas criam a condição necessária para um ambiente melhor da economia nos próximos meses, onde se constata que o mercado concede ao governo o que os especialistas definem como ‘benefício da dúvida’.

“Se o País fizer bem a lição de casa, segurando seus gastos e estimulando a produção a partir de reformas que há muito se aguarda, há possibilidades de retomada de investimentos e a perspectiva de voltar a crescer com inflação baixa, com taxas de juros baixas. O mercado já verifica uma queda do risco do país e a estabilização do câmbio, mas claro que se trata de um cenário básico porque a economia ainda não cresce. Embora demonstre que está se estabilizando, as análises de março e abril indicam que é positivo, que vai haver crescimento, e as reformas são decisivas para isto se consolidar”.

O economista aponta que há uma poupança interna que pode virar consumo quando o emprego estabilizar, pois com receio do que poderia acontecer muita gente preferiu reduzir os gastos. “Desde o final de 2014, o consumo das famílias caiu muito mais do que a renda, as pessoas poupam porque há um temor de se fazer dívidas diante de um quadro recessivo. Quando a confiança do consumidor melhorar e se houver uma sinalização de que as reformas poderão estimular o crescimento econômico, o emprego passa a ser positivo, nossa expectativa é de que a partir do terceiro trimestre isto possa começar a reverter o quadro. Se por um lado temos 13 milhões de desempregados, por outro lado o número de empregados é de 90 milhões de pessoas que neste momento estão com um comportamento atípico, consumindo muito menos do que se esperaria. Com a estabilização da economia é este contingente que poderá acelerar o consumo”. Analistas indicam que segmentos que registraram uma queda muito forte, como o setor automotivo e o mercado imobiliário, com a queda dos juros, poderão surpreender, ainda que se considere que esta retomada do consumo deva atingir todos os setores de maneira geral.

Fernando Barbosa aponta ainda um aspecto que traz certa preocupação, a situação das empresas que pagam uma conta de juros muito elevada diante da receita que estão tendo com o mercado desaquecido. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, comenta, mostra que cerca de metade das empresas no Brasil hoje não geram receita suficiente para pagar as despesas financeiras, o que para ele pode ser assustador no contexto geral da economia do País.

A aprovação da reforma da Previdência, pondera Barbosa, pode gerar uma expectativa de uma forte queda na taxa de juros, o que aliviaria o balanço das empresas e permitiria a retomada da confiança do empresário. “É uma situação curiosa porque embora estejam endividadas esta dívida de maneira geral não é tão acentuada e na medida em que a taxa de juros cai ela passa a dar condições de uma negociação interessante, permitindo que a receita seja compatível ao pagamento de dívidas”.

O cenário é construtivo, na avaliação do economista-chefe do Bradesco. Estudos do banco apontam para uma expectativa de PIB de 0,3% para o ano, com uma taxa Selic de 8,5%, inflação de 3,9% e um câmbio de R$ 3,10. “Isto pode ser considerada uma visão mais pessimista, mas dentro de uma realidade se considerarmos que os trimestres vinham sendo piores e agora há uma perspectiva de melhoria. A trajetória de crescimento do PIB é positiva, partindo de 0,3%, mas acelerando ao longo do ano”.

Quanto às projeções no cenário político e os impactos na economia, segundo ele tudo vai depender dos efeitos das delações e de todo o debate que vem movimentando o País em torno das reformas. “Há sempre a expectativa do quanto tudo isto poderá influenciar as próximas eleições”, assinala.

Por um lado, os especialistas em política dizem que há uma chance de que os congressistas aprovem as reformas porque isto poderá levar o Brasil a um crescimento e eles vão tirar proveito eleitoral desta situação, outras análises colocam a condição de receio dos parlamentares em associar a situação de perda de credibilidade do governo com as decisões a serem tomadas no Congresso. Outra ponderação é quanto ao fato de que se deve sempre levar em conta que o eleitor de maneira geral leva em conta que se a economia está positiva o aspecto político acaba em segundo plano. “Mesmo sendo uma reforma que pode ser impopular do ponto de vista político, se a economia for bem, isto vai fazer uma diferença importante, quem sabe apostando que o eleitor nem associará o nome deste parlamentar à votação”.

Outra análise é quanto aos efeitos de todas as investigações para uma melhor governança do País, aspecto do trabalho da operação Lava-jato considerado positivo para o mercado. Esta situação traria impactos na relação entre empresas do setor privado e o setor público, e para os investidores este é considerado um ponto fundamental na perspectiva de que o Brasil se torne mais confiável no médio e longo prazo, observa Fernando Barbosa, especialmente se for assegurado o compromisso com a agenda econômica de quem eventualmente vencer as eleições.






ACIJS – Associação Empresarial de Jaraguá do Sul
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