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Segurança no trânsito depende de educação e senso de responsabilidade, reforçam especialistas, em live da ACIJS

Arduino Martins, Gildo Andrade, Antônio Benda e Luiz Carlos Buzzarello (da esquerda para a direita): debate importante na busca de um trânsito mais seguro no município e região

A melhoria das relações no trânsito, com humanização entre usuários – pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas – e a redução de indicadores de acidentes, passa por educação, infraestrutura de mobilidade viária e de equipamentos de controle de tráfego, e cumprimento à legislação.

É o entendimento de especialistas na área, convidados pelo Núcleo de Segurança e Saúde no Trabalho da ACIJS, convidados para debater o tema “trânsito seguro” durante live que a entidade realizou nesta segunda-feira (8). Participaram do encontro o capitão Antônio Benda da Rocha, do 14º Batalhão de Polícia Militar, e o diretor de Trânsito e Transportes da Prefeitura de Jaraguá do Sul, Gildo Martins de Andrade Filho. A transmissão contou ainda com as presenças do vice-presidente da ACIJS para a área de segurança, Luiz Carlos Buzzarello, e de Arduíno Martins, líder do Núcleo de Segurança e Saúde no Trabalho da entidade.

Na live, o capitão Antônio Benda fez uma retrospectiva histórica e lembrou aspectos legais desde o surgimento do Código Brasileiro de Trânsito, apresentando indicadores de acidentes nos últimos anos no País e em Jaraguá do Sul. As estatísticas mostram que em 2019 mais de 40 mil pessoas perderam a vida no Brasil em acidentes de trânsito, das quais mais de mil e quinhentas em Santa Catarina, além de deixar milhares de vítimas com sequelas. Em Jaraguá do Sul e região, foram mais de 2.700 acidentes, com média de 7,25 ocorrências por dia que resultaram em 723 pessoas feridas. Com uma frota de 122 mil veículos, somados a outros 60 mil se forem considerados os demais municípios da região, comparativamente, explicou, o trânsito causa mais vítimas do que as ocorrências ‘comuns’ à área de segurança pública: em Jaraguá do Sul foram 25 mortes, contra 6 óbitos em crimes de outras naturezas.

Os acidentes de trânsito, lembram os especialistas, representam passivo social importante aos cofres públicos. Estudo do Conselho Federal de Medicina mostra que o custeio de atendimento de vítimas de ocorrências no trânsito para o SUS (Sistema Único de Saúde) é da ordem de R$ 3 bilhões por ano, enquanto em Jaraguá do Sul o gasto soma cerca de R$ 21 milhões – dados de 2019. “Além dos danos às vítimas e da dor que traz a familiares, o trânsito representa um custo na gestão de recursos públicos que poderiam ser destinados a outras áreas”, avalia Benda.

Para os participantes, a humanização do trânsito, com harmonia entre os usuários e o respeito à legislação, é um desafio que precisa ser assumido cada vez mais pela sociedade, com envolvimento direto do poder público, entidades organizadas e instituições ligadas à segurança pública e do judiciário.

Ex-comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar, e atualmente respondendo pela Diretoria de Trânsito e Transportes da Prefeitura de Jaraguá do Sul, Gildo Martins de Andrade Filho, entende que a questão passa necessariamente por eixos centrais, que ele define como “três Es”: engenharia, esforço legal e educação. Andrade reconhece que há esforços da comunidade, mas lamenta o que considera um dificultador para a implementação de ações mais assertivas, a inexistência de uma política pública definida para a educação no trânsito no País. A realidade dura, explica Andrade, é de que “o trânsito é uma faceta da vida em sociedade, infrações poderiam ser evitadas se as pessoas seguissem as regras, se respeitassem e agissem com responsabilidade e compromisso social”, resume.

O capitão Antonio Benda também concorda que a redução dos indicadores passa pela orientação e cita a educação como um caminho a ser cada vez mais seguido. “O trânsito é formado por diversos atores, é uma questão cultural que precisa ser trabalhada para que estes atores cumpram as normas e isto se consegue dando ênfase à educação”, assinala ao lembrar que das 73 mil infrações que geraram notificações e multas na região nada menos que 28 mil ocorreram por desobediência em cruzamentos e na sinalização de semáforos. “Mais de 60 por cento das ocorrências se dá por falta de atenção, isto reflete o comportamento das pessoas no trânsito. Além de não respeitar o sinal fechado, a segunda causa é por excesso de velocidade e a terceira pelo não uso do cinto de segurança”, acrescenta.

Arduíno Martins e Luiz Carlos Buzzarello ressaltaram o empenho da classe empresarial, seja por atuação dos núcleos da ACIJS em ações que despertem maior conscientização, ou pelo envolvimento da entidade em diversas iniciativas na comunidade, para que o município e região mudem o quadro de estatísticas. “Jaraguá do Sul e região são exemplos em várias áreas, mas no trânsito ainda não alcançamos esta condição, para isto é preciso que todos atuem com o mesmo objetivo”, reforça Andrade.

O diretor de Trânsito e Transportes informa que uma iniciativa importante neste sentido será a implantação de projeto educativo nos próximos meses. Em parceria da Prefeitura, polícias Civil e Militar, e de outros segmentos organizados, a ideia é instalar em área próxima ao 14º BPM, um ambiente para a formação de jovens com idade entre 10 e 11 anos, orientando-os sobre regras de convivência no trânsito, legislação e outras questões que refletirão quando se tornarem usuários como pedestres, ciclistas e condutores de veículos. O local seria estruturado como uma espécie de “mini cidade” dotada de vias e equipamentos como lombadas, semáforos e outros recursos que atendam a legislação e com isto estimule as crianças pela prática a como se comportarem no trânsito. O projeto deverá estar concluído até o final deste ano, para início de atividades em 2021, com investimento em torno de R$ 1, 3 milhão, com recursos do setor público e a serem buscados em parcerias.

Junto com a preocupação em educar a comunidade por meio de campanhas e com a futura “escolinha”, Gildo Andrade destaca ainda o trabalho de ordenamento do trânsito, com vistas à melhoria da mobilidade. Isto se dá através de investimentos nas vias urbanas e implementação de faixas para compartilhamento de pedestres, bicicletas com pedal ou com tração elétrica e veículos de pequeno porte elétricos como patinetes, por exemplo, a terem ainda regulamentação de uso. E na instalação de lombadas para controle de velocidade, e de semáforos inteligentes, que visam dar maior fluidez no tráfego e segurança a pedestres e condutores.

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