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Secretário apresenta cenário de dificuldades para Santa Catarina

O secretário da Fazenda Antônio Marcos Gavazzoni traçou um cenário de muitas dificuldades para a economia de Santa Catarina, durante encontro na Associação  Empresarial de Jaraguá do Sul na segunda-feira, onde esteve participando da plenária semanal da ACIJS e APEVI. Numa definição realista do atual momento disse que o quadro reflete uma situação nacional, de um país com uma área pública quebrada.

“Existe uma crise e ela já está nos afetando, só que esta não é uma crise pontual, mas que reflete um modelo de finanças públicas que está falido. A verdade é que todos os estados brasileiros vão quebrar se não for encontrada uma solução diante de um quadro onde corporações buscam vantagens em prejuízo do coletivo, do interesse maior que é o Brasil”, disse o secretário fazendo menção ao déficit nas contas públicas contrastando com a aprovação de reajustes de salários no serviço público que resulta em crescimento da folha de pagamento em todo o país.

Gavazzoni lembrou que mesmo com o Brasil crescendo no volume de arrecadação, como ocorreu na última década, não há mais como transferir o custo da estrutura pública sobre quem produz ou repassando para a sociedade em geral.

“Não dá para administrar o Brasil achando que basta trazer de volta a CPMF sem  resolver os problemas estruturais que causam um déficit de R$ 170 bilhões. A solução é reduzir este déficit com maior volume de produção e com estímulo a investimentos que irão gerar consumo e renda. Consequentemente, haverá maior arrecadação, o que é positivo desde que se resolva os desajustes nas despesas públicas, pois isto faz com que o PIB brasileiro não cresça como desejado e ao contrário só venha registrando queda histórica na média, mesmo que se tenha tido evolução nos últimos anos. Estamos vivendo a maior queda da história do Brasil, em 2016 vamos completar três anos seguidos de diminuição do PIB”.

Em relação ao PIB de Santa Catarina, acentuou que em 2015 o estado teve queda de 4,1%, mesmo assim numa condição mais favorável se comparado com a situação de outras regiões. Gavazzoni explicou que a boa arrecadação do estado, ao lado de ajustes que o governo realizou permitiram criar uma reserva que hoje é de R$ 1,3 bilhões, mas que segundo ele já está se esgotando.

“O problema é que estamos perdendo para a inflação enquanto as despesas só aumentam”, explicou o secretário mencionando que enquanto a receita do estado é de cerca de R$ 600 milhões abaixo do orçado, a folha de pagamentos projeta aumento de R$ 300 milhões. Disse que enquanto a arrecadação tributária registrou até maio deste ano 9,26%, a inflação é de 4,62%, mesmo que na temporada de verão a boa movimentação tivesse feito a arrecadação alcançar 9,61%. Um dos reflexos da menor movimentação financeira é a redução de empregos, que chegou a 82 mil postos de trabalho no estado.

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“O estado brasileiro está engessado e não há perspectivas de mudança enquanto a administração pública não passar a tomar decisões como sociedade e menos como governo. Porque quando toma decisões puramente como governo está levando em conta mais os interesses políticos do que aqueles que influenciam a sociedade de maneira geral”, ressaltou citando as dificuldades na gestão de recursos, o que exige do administrador que sejam estabelecidas prioridades. Lembrou a situação da saúde, onde o governo do estado mantém 14 hospitais que consomem todo o orçamento, defendendo um modelo que privilegie a competência da gestão em hospitais filantrópicos mantidos pela sociedade civil, contando com o apoio do estado e valorizando principalmente as entidades com boas práticas.

O presidente da ACIJS, Giuliano Donini, disse que o panorama apresentado pelo secretário da Fazenda preocupa diante das perspectivas do País e que Santa Catarina sente os reflexos na perda de competitividade do setor produtivo, trazendo impactos sociais graves. O empresário entende que a sociedade precisa estar atenta e cobrar uma mudança radical na forma como a gestão pública se comporta, e reforçou que as entidades representativas estão acompanhando com expectativa um novo cenário que represente oportunidades de crescimento ao país e maior atenção às carências regionais.

Sonora Antônio Gavazzoni (Clique aqui para baixar o áudio)

Sonora Giuliano Donini (Clique aqui para baixar o áudio)

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