Plano de negócio, sim ou não?

Plano de negócio, sim ou não

Vai abrir um negócio e está confuso sobre como planejá-lo da melhor forma para reduzir os riscos e aumentar as chances de sucesso?

Antes de iniciar o voo, reflita sobre a diferença entre planejar, planejamento e plano. Boa parte da confusão começa aqui. Quem melhor esclareceu este ponto foi Henry Mintzberg, em seu livro Safári da Estratégia (Ed. Bookman, 2010). Planejar é levar o futuro, de alguma forma, em consideração. Toda vez que pensamos em abrir um negócio, intuitivamente, já começamos a planejá-lo. E muitos já abrem a empresa assim, e quebram a cara. Deveriam ter feito um melhor planejamento – que, na prática, é a adoção de um método para levar o futuro em consideração. Dados do Sebrae indicam que as empresas que sobrevivem aos primeiros cinco anos investem, em média, 14 meses em planejamento. Dez meses a mais do que as que quebram neste mesmo tempo.

Durante muitos anos, o único planejamento indicado por especialistas era o plano de negócio tradicional. Mas, recentemente, novas formas têm sido desenvolvidas: Effectuation, Canvas do Modelo de Negócio, Customer Development, Design Thinking e Lean Startup, entre outras.

Depois do planejamento, surge enfim o plano, que nada mais é do que a tangibilização do planejamento – do latim planum, que significa “superfície lisa”. Os planejamentos sempre necessitaram de planos para serem comunicados e explicados. Dessa forma, as páginas de um plano tradicional de negócio se enquadram nesta categoria. Mas os resultados tangíveis dos demais métodos também representam exemplos de planos de negócio.

Modelo de negócio  (Foto: Marcelo Nakagawa)

O plano de negócio sempre deve ser elaborado, para que o empreendedor organize o seu planejamento e, eventualmente, o comunique para parceiros, colaboradores e investidores, entre outros públicos.

Mas qual método é o mais indicado para o seu caso? A resposta depende de dois contextos principais. No primeiro deles, o desenvolvimento do plano de negócio é obrigatório por alguma razão. Fontes de recursos com BNDES, FINEP, FAPESP e alguns investidores privados, por exemplo, pedem um plano de negócio como documento obrigatório no processo de solicitação do investimento. Em casos assim, o método e o modelo de plano são explicados previamente. Cabe a você segui-los fielmente.

O segundo contexto é o que gera mais dúvidas, pois a elaboração do plano depende da vontade do empreendedor. Nessa situação, é preciso levar em consideração o nível de inovação da ideia e a necessidade de investimento. O nível de inovação está relacionado à compreensão do mercado quando a ideia é explicada. Negócios mais tradicionais, como uma padaria ou um posto de combustíveis, são facilmente compreendidos pelo seu público-alvo. Mas soluções como o Twitter ou Youtube nem tinham um público-alvo bem definido quando foram criadas. A necessidade de investimento é algo subjetivo. R$ 5 mil pode ser muito para alguns, e muito pouco para outros.

Considerando a relação entre nível da inovação e necessidade de investimento, se ambos forem baixos, elabore um plano seguindo o método Effectuation. Elaborado por Saras Sarasvathy, da Universidade da Virgínia (EUA), incentiva a pessoa a iniciar seu negócio investindo muito pouco – a partir daquilo que ela é, quem conhece e o que sabe fazer.

Sua ideia de negócio é muito inovadora, mas consegue testá-la em pequena escala? Entenda como o Design Thinking pode contribuir para tangibilizar essa inovação, chegando ao ponto em que seu produto seja demandado pelo mercado.

Se sua ideia é muito inovadora, mas será necessário um grande investimento para torná-la um sucesso, comece a planejá-la considerando o Customer Development. Cunhado por Steve Blank, da Universidade de Stanford, este método de planejamento parte do pressuposto de que a ideia é tão inovadora que, antes de iniciar o negócio, é preciso descobrir quem são os verdadeiros clientes, se eles validam a ideia e se irão realmente comprar o produto, sempre investindo muito pouco nestas etapas.  Este método é quase sempre complementado por outro, o Lean Startup.

Se o negócio for mais tradicional, mas exigir muito investimento por parte do investidor, o plano tradicional de negócio pode ser muito útil. Este é o método mais popular, mas tende a ser mais útil nesta situação.

Modelo de negócio  (Foto: Marcelo Nakagawa)

Por fim, seja qual for o seu caso, antes de fazer o plano, aprenda a elaborar o Canvas do Modelo de Negócio da sua ideia. Em pouco tempo, conseguirá visualizar todos os principais aspectos da sua empresa.

Se pretende voar alto com seu negócio, o conselho do escritor e aviador Antoine de Saint-Exupery sempre deve ser lembrado: “Um objetivo sem um plano é apenas um desejo”.

VIA: PEGN

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