Especialistas debatem oportunidades para pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Promover a conscientização de que a deficiência não é um problema para o setor produtivo e para a sociedade, mas que ao contrário pode trazer ganhos por meio da inserção social das organizações e do seu envolvimento com a comunidade.

Esta é uma das avaliações de especialistas que participaram nesta terça-feira (18) do workshop Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho, organizado pela Associação Brasileira de Recursos Humanos, Associação Empresarial e Prefeitura, no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul.

O evento colocou lado a lado portadoras de diferentes limitações, profissionais das áreas de gestão de pessoas, da educação, empresários e representantes do poder público, de entidades da sociedade civil e de instituições que se dedicam ao atendimento e à capacitação de pessoas com deficiências.

O tema foi abordado por Marcelo Pires, Flávia Cortinovis e Walace Paoli, sócios da Consolidar, empresa que é considerada referência em planejamento e implantação de programas de diversidade e inclusão no Brasil. Conforme Marcelo, o grande objetivo do trabalho que é realizado com pessoas com deficiências é fazer com que elas se sintam parte da equipe, independendo de qualquer condição.

Pioneiro no Brasil como empreendedor responsável pela criação de uma empresa onde mais de 50% dos funcionários possuíam alguma limitação, ele diz que a promoção da inclusão destas pessoas é um paradigma que precisa ser enfrentado pela sociedade. “Se trata de mudar um modelo mental de que pessoas com deficiências são incapazes de produzir com a mesma qualidade de uma pessoa sem limitações”, observa.

Psicólogo com formação nos Estados Unidos, Marcelo Pires lembra que o Brasil possui cerca de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Mais do que cumprir a legislação de cotas, sugere, as empresas precisam contar com gestores capazes de reconhecer o potencial destes trabalhadores, começando pela construção de um ambiente em que todos sejam reconhecidos por suas habilidades e não pelas limitações.

“A lei pode contribuir para que esta inserção ocorra de modo natural e não como uma exigência. Muitas ainda enxergam isto como prejuízo, de perda de competitividade, mas ao contrário isto ajuda a melhorar o clima interno por meio do relacionamento entre os colaboradores e até no resultado econômico”. Papel importante que ele destaca é o de capacitação de PCDs para o mundo do trabalho. Instituições de formação profissional, ONGs e entidades de atendimento a deficientes precisam avançar, avalia Marcelo Pires, na preparação de profissionais.

Luis Hufenüssler Leigue, vice-presidente de Marketing da ACIJS, diz que este foi um dos propósitos que levou a entidade a propor um evento que reunisse os vários elos da cadeia de atenção a pessoas com deficiências. “O evento tem este viés de se reconhecer uma situação que existe e como aprimorar o trabalho já realizado pelas entidades, no sentido de ampliar as oportunidades de inclusão no mercado de trabalho”, comenta. Ele entende que Jaraguá tem exemplos positivos de cumprimento à legislação, com o trabalho realizado por entidades sociais e em parceria com a classe empresarial e poder público. “O que precisamos é fortalecer estas conexões, com um diagnóstico do que é feito e buscando avanços que não sobreponham ao que já é feito com qualidade”.

Emanuella Wolf, chefe de Gabinete da Prefeitura, disse que o poder público se sente comprometido com o debate, reforçando ações já realizadas nas áreas de educação e assistência social. “É muito importante que este trabalho junto com as entidades continue sendo voltado ao desenvolvimento de habilidades, pensando no pós e com isto as pessoas tenham reais possibilidades de se integrarem ao mercado de trabalho”. Ela defende que a legislação não seja vista como um instrumento de punição em que as empresas se sintam obrigadas ao seu cumprimento, mas sim que cada vez mais elas percebam as possibilidades de serem solidárias ao que é feito na comunidade.

Para Noeli Mafra, profissional de RH há 20 anos e membro do Conselho Fiscal da ABRH-Jaraguá do Sul, o evento é mais uma ação para que a sociedade se conscientize para o assunto. “Uma lei que obriga a inserção de pessoas com deficiência, por si só não traz um resultado tão positivo quanto o engajamento de empresas e de pessoas que recebem em seus locais de trabalho quem tem alguma limitação. Mais do que leis, então, precisamos do acolhimento por parte de quem não tem qualquer dificuldade, e da capacitação para que se tenha um ambiente onde todos se sintam produtivos”.

 

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