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Entidades empresariais avaliam queda da Selic como positiva, mas reformas são consideradas vitais para retomada econômica

“Há um debate a ser feito quanto ao modelo de crédito, que deve considerar a microeconomia e a economia digital, em condições que favoreçam os motores da economia local”, assinala o presidente da ACIJS e do Centro Empresarial, Luis Hufenüssler Leigue. [foto de César Castro/WeArt]

Entidades empresariais avaliam que o novo corte na taxa básica de juros da economia, a Selic, foi uma medida acertada. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu na semana passada a taxa para 2,25%, oitava redução consecutiva e o menor valor da série histórica.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o acesso ao crédito em meio à pandemia do novo coronavírus é fundamental para atravessar a crise. “Este corte na taxa Selic certamente contribuirá para a queda do custo de financiamento das empresas e, também, da população, que, mais do que nunca, necessitam de crédito para atravessar a fase aguda da crise econômica decorrente da pandemia da covid-19”, disse o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Para a entidade, a decisão do Copom não compromete o alcance da meta para a inflação e funcionará como estímulo à retomada da atividade econômica. A entidade justifica que a retração na atividade causada pela crise do novo coronavírus provocou queda nos preços de diversos bens e serviços. Com isso, as projeções de inflação para 2020 encontram-se bem abaixo do centro da meta definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4% ao ano.

Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-conselheiro do Banco Central e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), avalia que autoridade monetária deve fazer mais um corte de 0,25 ponto porcentual e terminar o ano com a Selic no patamar de 2%, o que deve se manter por algum tempo caso o governo aprove as reformas estruturais. “Se o governo tiver uma política fiscal firme, com reformas e cortes de despesas, eu acredito que a taxa de juros permanecerá no nível de 2% por mais um ano. Mas isso dependerá de uma ampla reforma fiscal”, afirma. Maurício Oreng, economista do Santander, segue o mesmo raciocínio. “Desde 2016, nós temos uma política fiscal mais apertada, com a aprovação do teto de gastos que é uma medida crível para os investidores. Essa mudança é o que promove uma queda mais acentuada da inflação. Mas é preciso que o país volte a endereçar as reformas fiscais para que tanto a inflação quanto a taxa de juros se mantenham sob controle”, diz ele.

Entre os economistas, existe uma percepção de que medidas de proteção à renda das famílias, como a liberação do auxílio emergencial, foram mais eficazes do que a concessão de crédito para micro e pequenas empresas durante a pandemia. Para alguns, soa estranho o protagonismo do Banco Central num momento em que o governo deveria tomar a dianteira e oferecer estímulos à economia doméstica. “O governo está forçando a barra com o Banco Central. Caiu no colo da autoridade monetária fazer uma coisa que talvez não seja de sua alçada, como incentivar a economia por meio da taxa de juros. Isso acontece porque os mecanismos mais usuais de incentivo em momentos de crise, como ter um gasto público maior, não estão acontecendo”, diz André Perfeito, economista-chefe da corretora Nécton. “Infelizmente, esse corte não irá se traduzir em alívio efetivo na ponta final”.

Para o presidente da ACIJS e do Centro Empresarial, Luís Huffenüssler Leigue, esta nova queda na Taxa Selic já era aguardada e embora seja importante a medida não causa ainda um impacto mais acentuado junto ao pequeno e médio empresário, ou a profissionais autônomos, que são os grandes motores das economias locais. Aponta que se de um lado a questão macro parece estar se encaminhando, ainda que as linhas de crédito não sejam tão acessíveis, há um debate a ser feito quanto ao modelo de crédito, que deve considerar a microeconomia e a economia digital. “É preciso outras medidas para reaquecer a economia, com um novo modelo de fazer o dinheiro girar, como pagamentos online e transferências digitais, que necessitam de regulamentação sem que tenhamos um sócio como o governo. Reformas como a tributária talvez sejam mais importantes do que baixar a taxa de juros. Há questões que precisam entrar na pauta para que o País possa reativar a sua economia”, assinala. [Com informações da Agência Brasil e portais Veja e OCP News]

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