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ACIJS avalia que redução da taxa Selic reflete ajuste necessário à economia diante de crise causada por pandemia

Anúncio foi feito em reunião do Copom – Conselho de Política Monetária do Banco Central, em Brasília – foto Agência Brasil

A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de corte de 0,75 ponto percentual na Selic, taxa básica de juros, anunciada nesta quarta-feira (6) reflete a necessidade de ajustes na economia, como imposição do atual quadro recessivo mundial em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

Com a medida, o índice passou de 3,75% a 3% ao ano, o menor nível desde 1999, quando começou o regime de metas para a inflação, segundo o Banco Central. Esta é a sétima redução consecutiva no atual ciclo de baixa iniciado em julho do ano passado.

Para o presidente da ACIJS e do Centro Empresarial de Jaraguá do Sul, Luis Hufenüssler Leigue, trata-se de um forte indicador do nível de saturação sem precedentes na economia não apenas do Brasil como no mundo todo.

“Esta é uma situação que exige medidas de ajustes não só do governo federal, como são as decisões do Copom, como também de governos em outras esferas. Seja com medidas que representam renúncias fiscais, como em apoios emergenciais para as pessoas, que perderam renda, ou na facilidade de crédito a empresas, seja em nível de municípios como no estado e na união”.

Para ele, são decisões necessárias para que se possa fazer frente às dificuldades pontuais, mas também na circulação de dinheiro, para estimular o consumo e com isto a economia possa respirar, fazendo uma analogia com a situação atual, por aparelhos, e ainda que minimamente se possa retomar investimentos que estão parados. Caso contrário, aponta, as chances de um lockdown econômico são grandes, correndo-se o risco do País perder um início de década que apresentava boas expectativas.

“Não é uma preocupação apenas do Brasil, mas de economias emergentes que sofrem os impactos de perdas nos índices de consumo e da redução da atividade econômica. No nosso caso, vínhamos passando por um ciclo de crescimento do empreendedorismo em setores ligados à inovação, por exemplo, que acabou se retraindo e em alguns casos até inviabilizados. Por isso, medidas como a manutenção de taxas baixas de juros, juntamente com outras iniciativas, são importantes e necessárias para que a economia volte a girar”.

Por outro lado, destaca Luis Leigue, estas decisões precisam atender a todos os segmentos, e não considerar apenas grandes centros ou corporações maiores, já que na base da economia estão pequenas e médias empresas, as que mais tem sentido os efeitos da crise causada pela pandemia do novo coronavírus.

Queda pode se repetir em junho

Conforme os membros do Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central, as indicações do atual cenário mostram que pode haver mais um corte na próxima reunião, em junho, de mesmo grau.

Isto se deve a trajetória recente do câmbio e da fuga de dólares do país em função do estresse gerado pela pandemia do coronavírus. A moeda americana depreciou mais de 20% em relação ao real desde a reunião anterior. Além disso, há sinais de que a deterioração da política fiscal pode ser mais persistente que o esperado.

O estímulo vem num momento em que os diversos setores da economia registram retrações recordes, e grande parte dos consumidores passam a comprar apenas bens essenciais. É por isso que o comitê diz no comunicado que “neste momento, a conjuntura econômica prescreve estímulo monetário extraordinariamente elevado”.

A desaceleração econômica ampliada pela pandemia no mundo todo ainda não pode ser lida nos índices de atividade locais disponíveis até março. Com isso, o comitê ressalta ainda que os efeitos recessivos da quarentena deverão ser notadamente superiores nos dados de abril.

No comunicado, o Copom assinala que “o cenário externo, a pandemia da Covid-19 está provocando uma desaceleração significativa do crescimento global, queda nos preços das commodities e aumento da volatilidade nos preços de ativos. Nesse contexto, apesar da provisão adicional de estímulos fiscal e monetário pelas principais economias, e de alguma moderação na volatilidade dos ativos financeiros, o ambiente para as economias emergentes segue desafiador, com saída de capitais significativamente superior à de episódios anteriores”.

“Em relação à atividade econômica, dados mensais disponíveis até o mês de março repercutem apenas parcialmente os efeitos da pandemia da Covid-19 sobre a economia brasileira. Indicadores de maior frequência e tempestividade, referentes ao mês de abril, mostram que a contração da atividade econômica será significativamente superior à prevista na última reunião do Copom”.

Entidades apoiam decisão

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir para 3% ao ano a taxa básica de juros, com o corte de 0,75 ponto percentual, é apoiada pelas entidades do setor industrial do país.

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou como positiva a redução da taxa Selic. Para a entidade, novos cortes podem ser necessários por causa de incertezas que podem influenciar a decisão do Copom nas próximas reuniões. Os principais riscos na visão da CNI são a duração das medidas de isolamento social e os impactos negativos sobre a atividade econômica e o emprego.

“Quanto maior a queda na atividade, pior será a situação financeira de empresas e famílias com implicações sobre a maior necessidade de financiamento dos agentes econômicos. Assim, novas reduções da Selic podem ser necessárias na busca pela redução do custo do capital”, ressaltou em nota o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

[Com informações da Agência Brasil/EBC]

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